quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Edifícios vivos poderão ser as casas do futuro

A biologia é capaz de feitos extraordinários de engenharia, e a próxima fronteira na tecnologia de construção pode ser tornar os edifícios parte da natureza. 
Um grupo de cientistas das universidades de Newcastle e Northumbria criaram um novo centro de pesquisa para investigar essa possibilidade, apontando cinco maneiras que podem transformar os edifícios do futuro em edifícios vivos.


Edificio vivo
Photo REUTERS/Charles Platiau

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1. Edifícios que crescem


Desde as conchas esmagadas de calcário até a madeira de árvores mortas, usamos os materiais da natureza para a construção. No entanto, podemos aumentar radicalmente a quantidade desses materiais. Por exemplo, a Scientific American apresentou recentemente o micélio, a raiz de um fungo, como material do futuro. O micélio pode crescer em lascas de madeira e borra de café em períodos de tempo muito curtos, criando materiais com desempenho estrutural significativo.
A instalação Hi-Fi em New York, que consistia numa torre de 13 metros de altura, foi construída com tijolos de micélio. O maior desafio, no entanto, pode ser projetar uma estrutura em que o micélio esteja vivo e capaz de crescer e se adaptar. O projeto de arquitetura, liderado por Lynn Rothschild na NASA, investigou essa possibilidade, imaginando habitats que poderiam se reproduzir.

2. Edifícios que se regeneram


Rachaduras no betão de um edifício geralmente significam o começo do fim. A água penetrará e acabará por enferrujar os reforços metálicos que mantêm a estrutura estável. Mas os investigadores começaram a experimentar o betão que pode recuperar. Um método promissor, atualmente sendo desenvolvido por um grupo liderado por Henk Jonkers na Universidade de Tecnologia de Delft, é incorporar esporos bacterianos (como sementes de bactérias) na mistura do betão.
Quando a água entra através de fendas microscópicas, as bactérias são reanimadas. O material literalmente se torna vivo e desencadeia um processo químico, fazendo com que novos cristais de calcita cresçam e "curem" o betão. O uso dessa técnica pode adicionar muitas décadas à vida de um edifício de betão.

 3. Edifícios que respiram


Grande parte dos prédios, especialmente os arranha-céus e torres de vidro, têm suporte permanente de vida. Os sistemas mecânicos de ar condicionado fazem circular o ar para aquecer e refrescar. Obviamente, há sempre a opção de abrir uma janela para permitir a ventilação natural. Mas e se as próprias paredes pudessem respirar?
O grupo de Hironshi Ishii no MIT desenvolveu materiais que podem mudar de forma em resposta à presença de água. Esses materiais consistem em camadas de esporos de bactérias (semelhantes às usadas no concreto auto regenerativo) e látex. Quando o material seca, ele contrai-se e muda de forma.
O grupo está dando os primeiros passos para investigar a extensão desse método para criar membranas inteiras no edifício que podem "suar" à medida que a humidade interna aumenta. Usando membranas de látex revestidas com esporos de bactérias, o material flexiona e abre os poros, como as glândulas sudoríparas, permitindo que o ar flua através das paredes, por exemplo, quando o vapor acumula-se no chuveiro.



Edificio vivo
Photo HBBE

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4. Edifícios com sistema imunológico


Estamos cercados por trilhões de micro organismos em todo o lada, nas nossas casas, nos nossos corpos e no ar que nos rodeia. Gastamos milhões de libras por ano em produtos de limpeza antimicrobianos para matar grande parte desse complexo ecossistema, e sabemos há muito tempo que as pessoas que vivem perto de fazendas e e em contacto com a natureza, podem sofrer menos de alergias do que as que vivem em ambientes urbanos. Estar exposto a bactérias “boas” ajuda a construir o sistema imunológico em crianças.
Num interessante projeto piloto, os investigadores da University College London começaram a investigar como as superfícies das cozinhas, por exemplo, podem ser bio recetivas, promovendo o crescimento de bactérias conhecidas por oferecer resistência contra os insetos causadores de doenças.

5. Edifícios com estômagos


A maioria dos edifícios absorve constantemente materiais e energia, e produz resíduos que precisam ser retirados e tratados em escala industrial. Mas as novas pesquisas indicam que esse desperdício pode ser uma fonte de energia para um edifício. Uma equipa de investigadores de um projeto da UE chamado Living Architecture está trabalhando para desenvolver um novo tipo de célula de combustível microbiana, que absorve lixo doméstico e gera pequenas quantidades de energia, como parte de um projeto mais amplo que explora o poder de processamento de micróbios em edifícios.
As células de combustível são integradas nos tijolos que se tornariam parte do tecido estrutural do edifício e também seriam o seu estômago. Os tijolos absorvem as águas residuais e as bactérias convertem energia química, à medida que os resíduos são decompostos, em energia elétrica.
Por mais emocionante que isso pareça, há uma desvantagem nos prédios vivos: isto é, eles inevitavelmente morrerão. Mas os edifícios já têm um ciclo de vida. Além da ocasional atração turística geriátrica, a maioria de nossos edifícios está em constante estado de mudança. Quando eles atingem o fim de sua vida útil, derrubar edifícios é caro e poluente. Imagine uma cidade de edifícios que morrem suavemente formando o alimento para os próximos crescerem para mudarem e se adaptarem. Certamente isso é mais emocionante do que uma casa inteligente com um frigorífico que reorganiza automaticamente seus alimentos.



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