terça-feira, 21 de maio de 2019

Micróbios podem ajudar a limpar o plástico dos oceanos


Não há dúvida de que temos muito plástico em nossos oceanos, e a é culpa nossa. Mas algo pode ajudar-nos a resolver esse terrível problema ambiental. Micróbios marinhos que comem plástico.
Numa nova pesquisa, uma equipa internacional de cientistas estudou como comunidades microbianas se acumulam em plásticos que poluem os oceanos e contribuem para sua degradação. Um mecanismo biológico natural que poderíamos explorar, se pudermos aprender a usa-lo para combater essa grande fonte de poluição.


Photo Pixabay

Cientista limpa lago usando nanotecnologia




Quando o plástico entra no oceano, é submetido a uma série de fatores não biológicos, incluindo radiação UV, temperaturas e forças de abrasão na água do oceano. Esses processos ambientais iniciam a degradação do material em fragmentos de micro plásticos e nano plásticos cada vez mais pequenos. Mas algo mais contribui para isso.
"A degradação abiótica precede e estimula a biodegradação com grupos de carbonila que são gerados na superfície dos plásticos". Os investigadores, liderados pelo engenheiro ambiental Evdokia Syranidou da Universidade Técnica de Creta na Grécia, explicam como atuam.
"Uma ampla gama de organismos pode se estabelecer na superfície desgastada, usando-a como substrato e como fonte de carbono."




Para estudar o quão eficiente é essa mastigação microbiana permitindo uma maior degradação dos plásticos, os investigadores recolheram amostras de detritos de polietileno (PE) e poliestireno (PS), desgastados por ação natural, em duas praias da Grécia.
Depois de lavados, os fragmentos de plástico foram cortados em pequenos pedaços, sendo depois mergulhados em uma solução salina que agia como uma a água do oceano.
Eles foram então expostos a dois tipos diferentes de comunidades microbianas. Organismos que existem naturalmente no oceano (compreendendo várias espécies diferentes), e cepas bio aumentadas ajustadas para formarem bio filmes mais fortes nas superfícies plásticas.
Após cinco meses de exposição microbiana, as peças de plástico foram pesadas, revelando que os organismos haviam conseguido reduzir o peso do PS em até 11% e PE em até 7%.


A cepa de bioengenharia não dissolveu tanto plástico, embora a equipe tenha observado que "parece mais eficiente em aderir às peças desgastadas e desenvolver uma comunidade de bio filme".
Os resultados mais bem-sucedidos, de longe, foram na experiencia que usou "micróbios aclimatados", organismos já expostos aos plásticos numa simulação anterior. Por outras palavras, parece que esses organismos podem desenvolver um gosto pelos plásticos e aumentar o seu “apetite” com o tempo.
Além de mastigar o plástico, a exposição microbiana também resultou em mudanças químicas na superfície dos materiais, produzindo grupos carbonílicos e ligações duplas, e revelando processos como a cisão de cadeias que afetavam o plástico no nível molecular.


Photo Pixabay

O que fez a Islândia para diminuir as alterações climáticas



Esta definitivamente não é a primeira vez que os cientistas examinaram o poder dos micróbios para nos ajudar a lidar com os problemas do plástico.
Há já muitos anos que os investigadores pesquisam como os organismos poderiam se alimentar de resíduos de plástico. Cada avanço que fazemos, não importa o quão pequeno seja, pode ajudar nos esforços de limpeza, mesmo que a maior solução seja resolver o problema na fonte. (Acabar com os plásticos)




Até que isso aconteça, e a sociedade encontre uma maneira de parar de produzir esse desperdício num volume tão devastador, temos muito a ganhar aprendendo mais sobre mastigação microbiana e descobrindo uma maneira de aproveitá-la.
"Fechar a lacuna entre o emprego hipotético e realista de redes microbianas para a degradação plástica pode contribuir para o desenvolvimento de medidas de mitigação e políticas sustentáveis", escreve a equipa.

Drones podem recuperar paisagens degradadas


Novo projeto pretende limpar o ar de Londres com algas e plantas microscópicas





Fonte//ScienceDirect

Sem comentários:

Publicar um comentário