segunda-feira, 20 de maio de 2019

Impacto gigante causou diferença entre os hemisférios da Lua

A grande diferença entre os dois hemisférios da Lua  tem confundido os cientistas ao longo de décadas.
Agora surgem novas evidências sobre a crosta da Lua que sugerem que as diferenças foram causadas por um planeta anão que colidiu com a Lua no início do nosso sistema solar. Um relatório sobre a nova pesquisa foi publicado no Journal of Geophysical Research da AGU Planets.



Photo Pixabay

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O mistério dos dois hemisférios da Lua começou na época de Apolo, quando foram reveladas diferenças surpreendentes. As medições feitas pela missão Gravity Recovery e Interior Laboratory (GRAIL) em 2012 deram mais detalhes sobre a estrutura da Lua, incluindo como a sua crosta é mais espessa e tem uma camada extra de material à sua volta.
Há várias teorias que tentam explicar a assimetria da Lua. Uma é que já houve duas luas orbitando a Terra e elas se fundiram nos primórdios da formação da Lua. Outra ideia é que um corpo grande, talvez um planeta anão jovem, entrou em uma órbita ao redor do Sol o que o colocou em rota de colisão com a Lua. Esta última ideia de que um impacto gigante teria ocorrido depois da Lua ter formado uma crosta sólida, é a mais provável, disse Meng Hua Zhu, do Instituto de Ciência Espacial da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau e principal autor do novo estudo. Os sinais do tal impacto devem ser visíveis na estrutura da crosta lunar.







"Os dados detalhados de gravidade obtidos pelo GRAIL deram uma nova visão sobre a estrutura da crosta lunar abaixo da superfície", disse Zhu.
As novas descobertas do GRAIL deram à equipe de pesquisadores de Zhu novas evidencias que serão usadas com as simulações de computador para testar diferentes cenários de impacto do início do período lunar. Os autores do estudo executaram 360 simulações de impactos gigantescos com a Lua para descobrir se o tal evento de há milhões de anos poderia reproduzir a crosta da Lua de hoje, conforme detetada pelo GRAIL.
Eles descobriram a causa provável para a assimetria da Lua, é um impacto de um corpo grande, com cerca 780 quilômetros de diâmetro, atingindo o lado mais próximo da Lua a 22.500 quilômetros por hora. Isso seria o equivalente a um objeto um pouco mais pequeno que o planeta anão Ceres, deslocando-se a cerca de um quarto da velocidade dos meteoros e e meteoritos que todos os dias entram na atmosfera terrestre. Outra simulação sugeriu um objeto um pouco menor, com 450 quilômetros de diâmetro, atingindo 24.500 quilômetros por hora.



"Hunter's Moon-5716.jpg" by stevelosh is licensed under CC BY-NC-SA 2.0 

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Em ambos os cenários, o modelo mostra que o impacto teria levantado enormes quantidades de material que voltaram a cair na superfície da Lua, enterrando a crosta primordial do lado de fora em 5 a 10 quilômetros de detritos. Essa é a camada adicional de crosta detetada pelo GRAIL, de acordo com Zhu.
O novo estudo sugere que o objeto do impacto, não era provavelmente uma segunda lua do início da Terra. Fosse o que fosse, um asteroide ou um planeta anão, provavelmente estava em órbita a volta do Sol quando colidiu com a Lua, disse Zhu.
O modelo de impacto gigante também dá uma boa explicação para as inexplicáveis ​​diferenças nos isótopos de potássio, fósforo e elementos de terra-rara como o tungstênio-182 na superfície da Terra e da Lua, explicam os investigadores. Esses elementos poderiam ter origem no impacto gigante, que teria adicionado esse material à Lua após sua formação, de acordo com os autores do estudo.





O novo estudo não apenas sugere uma resposta às questões em andamento sobre a Lua, mas também pode fornecer informações sobre a estrutura de outros mundos assimétricos no nosso sistema solar, como Marte.
"Este é um trabalho que será muito polémico", disse Steve Hauck, professor de geodinâmica planetária da Case Western Reserve University e editor-chefe da JGR: Planets . "Compreender a origem das diferenças entre o lado mais próximo e o outro lado da Lua é uma questão fundamental na ciência lunar. De fato, vários planetas têm dicotomias hemisféricas, mas para a Lua temos muitos dados para testar modelos e hipóteses".


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