quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Anomalia do Atlântico Sul pode estar a enfraquecer o campo magnético da Terra


O campo magnético da Terra está a enfraquecer dramaticamente. De acordo com uma pesquisa feita no início deste ano, esse enfraquecimento fenomenal é parte de um padrão que dura mais de 1.000 anos.
 O campo magnético da Terra não é apenas os polos norte e sul. É também um escudo protetor que nos protege dos ventos solares e da radiação cósmica. Mas esse campo de força invisível está enfraquecendo rapidamente, ao ponto de os cientistas pensarem que poderia haver uma inversão dos polos.


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Por mais estranho que isso pareça, acontece periodicamente. A última vez que ocorreu foi cerca de 780 mil anos atrás. Quando isso acontece, é um processo lento, com a duração de milhares de anos.
Ninguém sabe ao certo se tal está a acontecer devido á falta de dados.
A região que mais preocupa os cientistas no momento é chamada de Anomalia do Atlântico Sul, uma imensa extensão do campo que vai do Chile ao Zimbábue. O campo magnético é tão fraco dentro dessa zona que é perigoso para os satélites, porque os níveis de radiação pode avariar seus componentes eletrônicos.







Uma das razões pelas quais os cientistas não sabem muito sobre a história magnética desta região, é a falta do que é chamado de dados arqueomagnéticos, evidências físicas do magnetismo no passado da Terra, preservadas em artefactos arqueológicos.
Uma dessas evidências pertencia a um grupo de antigos africanos, que viviam no vale do rio Limpopo, que faz fronteira com o Zimbábue, a África do Sul e o Botsuana, regiões que se enquadram na Anomalia do Atlântico Sul de hoje.
Há cerca de 1.000 anos, esses povos tinham rituais para sobreviver a tempos de seca.
Durante esses períodos, eles queimavam suas barracas de barro e caixas com cereais, num ritual sagrado para fazer as chuvas voltarem, não sabendo que estavam fazendo um trabalho que iria ajudar os cientistas muitos seculos mais tarde.

  • Quando se queima argila a temperaturas muito altas, os minerais magnéticos estabilizam-se, e quando arrefecem, guardam um registo do campo magnético da Terra”, explicou um dos elementos da equipa, o geofísico John Tarduno.

Como tal, uma análise dos artefactos que sobreviveram a essas queimadas revela muito mais do que apenas as práticas culturais dos ancestrais dos sul-africanos de hoje.
Como uma bússola congelada no tempo, os artefactos revelaram que o enfraquecimento da do campo magnético não é um fenômeno sem precedentes.
 Flutuações semelhantes ocorreram nos anos 400-450 CE, 700-750 EC e 1225-1550 CE, e o fato de haver um padrão indica que a posição da Anomalia do Atlântico Sul não é uma casualidade geográfica.
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O atual enfraquecimento do campo magnético da Terra, que tem ocorrido nos últimos 160 anos, é provavelmente causado por um vasto deposito de rocha densa, que tem cerca de 2.900 quilômetros.
 Supõe-se que essa região densa, existente entre o núcleo de ferro líquido e o manto mais rígido e mais frio da Terra, perturbe de algum modo o ferro que ajuda a gerar o campo magnético da Terra, mas ainda há muito a pesquisar antes de chegar a alguma conclusão.

Como explicam os cientistas, a ideia convencional de reversão de polos é que eles podem começar em qualquer parte do núcleo, mas as últimas descobertas sugerem que o que acontece no campo magnético, está ligado a fenômenos em lugares especiais no limite do manto central.
O que tudo isso significa para o futuro,ninguém tem certeza.
 Apenas sabemos que esse fenómeno ocorreu pelo menos duas vezes antes dos últimos 160 anos e faz parte de um padrão de longo prazo. É ainda muito cedo para se poder afirmar que está a acontecer uma reversão dos polos do nosso planeta.




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