segunda-feira, 12 de novembro de 2018

No Peru, a mineração do ouro esta a destruir a floresta tropical


A mineração de ouro em pequena escala destruiu mais de 170.000 acres de floresta indígena na Amazônia peruana nos últimos cinco anos, de acordo com uma nova análise feita por cientistas do Centro de Inovação Científica da Amazônia (CINCIA) da Universidade Wake Forest.
É uma área maior que São Francisco e 30% maior do que a que havia sido contabilizada na última analise.

"A escala da desflorestação é realmente chocante", disse Luis Fernandez, diretor executivo do CINCIA e professor associado de pesquisa no departamento de biologia. "Em 2013, o primeiro estudo sobre a floresta peruana perdida devido á mineração indicou 30.000 hectares. Cinco anos depois, encontramos quase 100.000 hectares."


Os cientistas do CINCIA, com base na região de Madre de Dios, no Peru, desenvolveram um novo método para identificar áreas destruídas por essa mineração em pequena escala ou em escala artesanal. Combinando a tecnologia existente de monitorizaçao de florestas CLASlite e conjuntos de dados de Mudança Florestal Global na perda de florestas, esta nova ferramenta de deteção de desflorestação é 20-25% mais precisa do que as usadas anteriormente.

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Tanto o CLASlite quanto o mapa Global Forest usam diferentes tipos de informação das ondas de luz para mostrar mudanças na paisagem. Combinar os dois métodos fornece informações sobre o tipo específico de desflorestação que procuramos", disse Miles Silman, diretor associado de ciência do CINCIA e diretor do Centro de Energia, Meio Ambiente e Sustentabilidade da Wake Forest (CEES). Silman que pesquisou biodiversidade e ecologia na Amazônia Ocidental e nos Andes por mais de 25 anos.

A mineração de ouro em escala artesanal é sido difícil de detectar porque seus efeitos secundários ficam escondidos das imagens de satélite nas áreas húmidas naturais. Mas os danos são enormes. Pequenas equipas de mineiros artesanais não tentam atingir o filão mãe, mas, preferem a recolher pepitas de ouro na floresta tropical.
Há ouro suficiente na floresta para ganhar muito dinheiro numa economia em dificuldades. Só é preciso escavar uma imensa quantidade de terra para obtê-lo.

Para obter o ouro, eles escavam a terra ou sugam os sedimentos do rio, e então usam mercúrio tóxico para tirar o precioso metal das sucatas. Os resultados são ambientalmente catastróficos.

"Tiram tudo o que está acima do solo, vastas quantidades de floresta tropical, e então transportam a terra para uma central de lavagem e lavam tudo para ficar só o ouro. O que sobra é um ambiente deserto", disse Silman.
A mineração de ouro em escala artesanal enraizou-se na Amazônia peruana no início de 2000, coincidindo com a construção de uma nova autoestrada ligando o Peru e o Brasil. A Rodovia Interoceânica fez com que a floresta remota e protegida do Peru fosse acessível a qualquer um. Costumava demorar duas semanas de carro todo-terreno para viajar de Cuzco até Puerto Maldonado, a capital de Madre de Dios, durante a estação chuvosa, agora leva apenas seis horas a bordo de um autocarro de luxo com ar-condicionado.


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Como a mineração de ouro em escala artesanal não requer maquinaria pesada e, portanto, envolve gastos mínimos, proporcionou uma oportunidade ganhos para os trabalhadores pobres das terras altas dos Andes em busca de fortuna em Madre de Dios. Quando regressam para casa, deixam um sem número de lagoas poluídas pelo mercúrio, montanhas de terra, e a paisagem sem árvores e sem a maior parte da vegetação.

O CINCIA fez uma parceria com o Ministério do Meio Ambiente do Peru para tentar entender como a nova ferramenta desenvolvida pode ser usada para identificar a desflorestação causada pela mineração de ouro em escala artesanal e tomar medidas efetivas para conter os danos.
Os cientistas do CINCIA também estão estudando espécies nativas que podem ser usadas para reflorestação pós-mineração, com uma área experimental de 115 acre na sede do CINCIA.


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